domingo, 7 de junho de 2015

Domingo de Eleanor Rigby #1

Eleanor Rigby, o único som que entrava em meus ouvidos naquele momento. Entardecer de domingo, devia ser 18 horas e poucos minutos, estava sentado na cama do meu quarto com um laptop no colo, eu precisava escrever.


Nunca tinha escutado nada dos Beatles, não sabia porque, talvez não era meu estilo, mas eu gostei. Talvez eu não tenha estilo mesmo. Eleanor Rigby não é fácil de se compreender, cheguei a pesquisar a origem da música e seu significado, mas até para os Beatles ela foi algo que surgiu do nada, primeiro surgiu seu instrumental, seu som, e depois a letra, engraçado, ao contrário. Talvez isso a deixou especial, afinal é Eleanor Rigby.


Chega, o assunto não é a música com um belo instrumental e letra confusa, o assunto é o entardecer de domingo. Subi um pouco mais o volume da música, e mais um pouco, e meus ouvidos vão chorar junto com meu fone de ouvido favorito. Olhei pela janela de meu quarto e dei de cara com uma construção aérea da nova linha do monotrilho, aquela que vai se juntar com o metrô. Não consegui ver nada além. O trilho estava bem á frente da linha do pôr do sol. Pensei, que merda!


Domingo vazio como sempre, então resolvi pensar na segunda-feira, não, melhor não, a segunda é difícil, ainda estarei preguiçoso na segunda, ainda sou o homem da atualidade na segunda, estarei melhor na quarta pra frente.


Preguiçoso, preguiçoso... porquê? Preguiçoso para mim se conecta a solidão. Ahhh não! Esse assunto de novo não. Solidão é algo que eu tenho que me acostumar e ponto final. Não é errado pensar no meu futuro sozinho, não é? É meu mesmo e nenhuma lei proíbe essa prática, ainda.


Tentei aumentar o volume da música mas o laptop não deixou, informou que estava em 100%. Saco, parecia baixo. Resolvi colocar a música mesmo, cantada, estava escutando apenas o instrumental. Se for  pensar, segui suas origens. Que lindo, não queria mais estar em meu quarto, deixa eu viajar, deixa.


Fechei os olhos, comecei a imaginar um clipe para a música, não deu certo. Então comecei a ver silhuetas dançando de um lado para o outro, o que é isso, não, sai daí. Foi então que me imaginei em uma rua escura, no frio, bem agasalhado com minhas mãos no bolso. Isso, agora estava interessante. Devo dizer que parecia algum lugar daqueles da Europa sabe, dane-se que é clichê, eu continuava andando pela rua ouvindo a música.


All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?


Lonely people, fazia sentido, eu me encaixo nessas duas palavras, é isso, Eleanor Rigby não é confusa. Da mesma forma que a letra se encaixou com o instrumental, minha imaginação foi obrigada a viajar, eu me vi, eu senti.


Voltei para meu quarto, olhei para o laptop, tudo estava confuso, tudo. Estava marcando 18 horas e 30 minutos naquele relógio do canto, número par pelo menos. Eu que nunca escrevi, tinha escrito algo, cool, e foi uma música que inspirou. Pronto, agora minha mente estava vazia, voltei a minha vida, not cool, not cool at all.